segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um pouco sobre Schopenhauer

Arthur Schopenhauer é um filósofo contemporâneo de origem alemã, seu pensamento é caracterizado como pessimista, servindo de influência para Nietzsche, Wagner, Wittgenstein, Freud, entre outros. Sua filosofia baseia-se principalmente pela idéia de vontade e representação, valorizando e introduzindo elementos da filosofia oriental.
Schopenhauer tem como a sua principal obra “O mundo como vontade e representação” partindo da distinção kantiana de fenômeno e coisa-em-si, ou seja, os que nos aparece e o que existe em si mesmo. Diante desta distinção, Schopenhauer diz que o fenômeno é a representação, dessa forma, o mundo não é mais que a própria representação do indivíduo, a consciência do que lhe aparece. Segundo ele, o mundo como representação, da maneira em que consideramos, contém duas partes essenciais. Uma é o objeto, que referem-se as formas, a pluralidade, espaço e tempo. A outra é o sujeito, que refere-se ao ser que percebe. Portanto, o sujeito e o objeto completam o mundo como representação, porém, se o sujeito desaparece não há mais a existência desse mundo. Por outro lado, Schopenhauer trata da coisa-em-si, afastando-se de Kant de que ela é inacessível ao conhecimento humano, abordando a própria coisa-em-si como a vontade. A vontade revela à todas as pessoas como em-si, é aquilo que identifica um homem, pois o que se faz e o que se quer, são uma e a mesma coisa, portanto, a vontade seria o princípio fundamental da natureza. Schopenhauer fala, que a vontade é cega e irracional, isso porque ela não se submete às leis da razão. Ela é infinita, porém a satisfação é limitada, por isso, o homem vive em eterna insatisfação. A vontade como a raiz metafísica do mundo e do ser humano, é também a fonte de todos os sofrimentos, ela é algo sem meta ou finalidade, um querer inconsciente e irracional.
Schopenhauer considera a consciência uma mera superfície de nossa mente, pois as formas racionais da consciência são aparências ilusórias, sendo que a essência das coisas não fazem parte da razão. Por isso, é o inconsciente que é fundamental na filosofia de Schopenhauer, eis a importância do filósofo na psicanálise de Sigmund Freud.
Schopenhauer em seu profundo pessimismo, afirma que viver é sofrer. A vontade como um mal presente e inseparável na existência humana gera dor, e a felicidade seria uma mera interrupção temporária de um processo de infelicidade, ou seja, o prazer é apenas uma ausência de dor, na qual não é durável.
Porém, apesar de todo esse pessimismo, o filósofo apresenta duas saídas para a suspensão do sofrimento, uma é a negação da vontade, e a outra é a arte. A contemplação da arte permite a contemplação da vontade em si mesma, e consequentemente, o domínio dela. A arte não é uma libertação total da vontade, mas sim, um distanciamento passageiro dela. Para a libertação total é necessário que o homem atinja um alto nível de conduta ética.
A ética schopenhaureana não se apóia em mandamentos, afastando-se da ética kantiana de dever, e de seu imperativo categórico. Para Schopenhauer a ética de Kant é egoísta porque pensa uma reciprocidade, o que para a ética schopenhaureana, uma ação de valor moral não pode repousar em motivos egoístas, e sim, sem nenhum interesse próprio. Ele divide as motivações naturais do ser humano em três, que seria o egoísmo, a maldade e a compaixão. O egoísmo é querer o bem próprio, a maldade é querer o mal alheio, e a compaixão é querer o bem alheio, sendo esta última a única motivação humana que contém valor moral. A máxima da ética schopenhaureana é “Não prejudiques a ninguém, mas ajuda a todos quanto puderes”.
Outra questão interessante que a filosofia de Schopenhauer trata é a metafísica do amor e da morte. Para ele, o amor é a manisfestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie, isso porque conscientemente ninguém suportaria carregar o fardo da vontade de vida sozinho, é um desejo instintivo de perpetuar a espécie. Esse desejo não é exclusivo do ser humano, ele está presente em qualquer ser vivo. A vontade de vida funciona da maneira em que ela aproxima duas pessoas, sendo que uma vai encontrar na outra as características que não possui. As pessoas tendem a preferir as criaturas mais belas, segundo Schopenhauer, nelas está impresso o tipo mais puro da espécie, assim, a busca pela beleza não se refere ao gosto pessoal, mas ao fim verdadeiro, o novo ser, para a conservação da espécie de maneira mais pura possível, ou seja, filhos perfeitos.
A metafísica da morte de Schopenhauer está basicamente na oposição entre a imortalidade da espécie e a mortalidade do indivíduo. Segundo ele, a morte põe um fim a vida do indivíduo, mas não um fim a sua existência, é a indestrutibilidade do ser, o homem morre, mas a sua espécie permanece, assim como em todos os outros animais. É, portanto, a vontade de vida, que faz o ser humano temer a morte, fazendo com que procure meios para aliviar angústias, remédios em consolações metafísicas, que são muitas vezes buscadas em religiões que pregam, principalmente, a imortalidade da alma. Sobre a morte, Schopenhauer também fala que a morte não pode ser diferente do momento anterior ao nascimento, porque em ambos, não há consciência.
Arthur Schopenhauer sempre buscou através de sua filosofia um reconhecimento. O merecido reconhecimento que foi proporcionado em seus últimos anos de vida. Suas idéias, além de servir de base e para grandes nomes na filosofia, também inspiraram e inspiram até hoje a literatura e a música. Pode-se citar aqui dois exemplos presentes na literatura e na música que são bastante conhecidos; na literatura, um exemplo foi Machado de Assis na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” em que o autor utiliza a filosofia de Schopenhauer de forma profunda no personagem principal, que refere-se à vontade irracional e a insatisfação frustrante decorrente disso. E na música está Raul Seixas, no qual, é apresentado alguns pontos da filosofia Schopenhaureana, como por exemplo, na música “Carpinteiro do Universo” que retrata a compaixão, “Trem 103” em que o trem retrata o veículo de morte e renascimento, “Gita” da filosofia oriental, entre outras canções. Schopenhauer é um grande filósofo e grande pensador genial, o qual serviu de inspiração para muitos outros grandes gênios.

2 comentários:

  1. Gênio, um grande pensador genial.
    Mas ainda prefiro este Chopp.enhauer:
    http://contradicaocomatradicao.blogspot.com/2010/06/piada-filosofica-schopenhauer.html
    Muito bom este post, bem explicativo, legal. Massa a questão da arte... embora eu ainda não possa muito bem aceitar este pessimismo dele.
    Mas você poderia escrever mais coisas explicando a relação entre as músicas do Raul e a filosofia do Shopenhauer, que acho que é interessante pra caramba.

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  2. OI Monica,em primeiro lugar parabéns pelo seu aniversário,conversamos pouco mas você é aparenta ser uma boa pessoa! Sobre seu comentário no meu blog sobre a tal banda "Bonita",bem respeito sua opinião mas me causa espanto alguém que lê Schopenhauer ter gostado,sobre a tal poesia que você mencionou não ter necessidade de nexo bem estou de acordo,porem existem poesias e poesias, se não vejamos posso citar nomes como Rogério Skylab,Santiago Nazarian,Augusto dos Anjos,o próprio Lord Byron! como disse não se pode exaltar uma banda que nem disco tem ainda nem se sabe como são ao vivo e outra temos exemplos de bandas como Los Hermanos,GRAM,Legião Urbana o proprio Raul Seixas muito competentes nisso,porem respeito sua opinião.
    e sobre Schopenhauer li a pouco tempo "A Arte da Escrita" achei muito bom é um autor que admiro e seu post esta muito bem escrito me rendo e dou meus parabéns!
    Abraços deste chato elevado ao quadrado hehehe

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