Arthur Schopenhauer é um filósofo contemporâneo de origem alemã, seu pensamento é caracterizado como pessimista, servindo de influência para Nietzsche, Wagner, Wittgenstein, Freud, entre outros. Sua filosofia baseia-se principalmente pela idéia de vontade e representação, valorizando e introduzindo elementos da filosofia oriental.
Schopenhauer tem como a sua principal obra “O mundo como vontade e representação” partindo da distinção kantiana de fenômeno e coisa-em-si, ou seja, os que nos aparece e o que existe em si mesmo. Diante desta distinção, Schopenhauer diz que o fenômeno é a representação, dessa forma, o mundo não é mais que a própria representação do indivíduo, a consciência do que lhe aparece. Segundo ele, o mundo como representação, da maneira em que consideramos, contém duas partes essenciais. Uma é o objeto, que referem-se as formas, a pluralidade, espaço e tempo. A outra é o sujeito, que refere-se ao ser que percebe. Portanto, o sujeito e o objeto completam o mundo como representação, porém, se o sujeito desaparece não há mais a existência desse mundo. Por outro lado, Schopenhauer trata da coisa-em-si, afastando-se de Kant de que ela é inacessível ao conhecimento humano, abordando a própria coisa-em-si como a vontade. A vontade revela à todas as pessoas como em-si, é aquilo que identifica um homem, pois o que se faz e o que se quer, são uma e a mesma coisa, portanto, a vontade seria o princípio fundamental da natureza. Schopenhauer fala, que a vontade é cega e irracional, isso porque ela não se submete às leis da razão. Ela é infinita, porém a satisfação é limitada, por isso, o homem vive em eterna insatisfação. A vontade como a raiz metafísica do mundo e do ser humano, é também a fonte de todos os sofrimentos, ela é algo sem meta ou finalidade, um querer inconsciente e irracional.
Schopenhauer considera a consciência uma mera superfície de nossa mente, pois as formas racionais da consciência são aparências ilusórias, sendo que a essência das coisas não fazem parte da razão. Por isso, é o inconsciente que é fundamental na filosofia de Schopenhauer, eis a importância do filósofo na psicanálise de Sigmund Freud.
Schopenhauer em seu profundo pessimismo, afirma que viver é sofrer. A vontade como um mal presente e inseparável na existência humana gera dor, e a felicidade seria uma mera interrupção temporária de um processo de infelicidade, ou seja, o prazer é apenas uma ausência de dor, na qual não é durável.
Porém, apesar de todo esse pessimismo, o filósofo apresenta duas saídas para a suspensão do sofrimento, uma é a negação da vontade, e a outra é a arte. A contemplação da arte permite a contemplação da vontade em si mesma, e consequentemente, o domínio dela. A arte não é uma libertação total da vontade, mas sim, um distanciamento passageiro dela. Para a libertação total é necessário que o homem atinja um alto nível de conduta ética.
A ética schopenhaureana não se apóia em mandamentos, afastando-se da ética kantiana de dever, e de seu imperativo categórico. Para Schopenhauer a ética de Kant é egoísta porque pensa uma reciprocidade, o que para a ética schopenhaureana, uma ação de valor moral não pode repousar em motivos egoístas, e sim, sem nenhum interesse próprio. Ele divide as motivações naturais do ser humano em três, que seria o egoísmo, a maldade e a compaixão. O egoísmo é querer o bem próprio, a maldade é querer o mal alheio, e a compaixão é querer o bem alheio, sendo esta última a única motivação humana que contém valor moral. A máxima da ética schopenhaureana é “Não prejudiques a ninguém, mas ajuda a todos quanto puderes”.
Outra questão interessante que a filosofia de Schopenhauer trata é a metafísica do amor e da morte. Para ele, o amor é a manisfestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie, isso porque conscientemente ninguém suportaria carregar o fardo da vontade de vida sozinho, é um desejo instintivo de perpetuar a espécie. Esse desejo não é exclusivo do ser humano, ele está presente em qualquer ser vivo. A vontade de vida funciona da maneira em que ela aproxima duas pessoas, sendo que uma vai encontrar na outra as características que não possui. As pessoas tendem a preferir as criaturas mais belas, segundo Schopenhauer, nelas está impresso o tipo mais puro da espécie, assim, a busca pela beleza não se refere ao gosto pessoal, mas ao fim verdadeiro, o novo ser, para a conservação da espécie de maneira mais pura possível, ou seja, filhos perfeitos.
A metafísica da morte de Schopenhauer está basicamente na oposição entre a imortalidade da espécie e a mortalidade do indivíduo. Segundo ele, a morte põe um fim a vida do indivíduo, mas não um fim a sua existência, é a indestrutibilidade do ser, o homem morre, mas a sua espécie permanece, assim como em todos os outros animais. É, portanto, a vontade de vida, que faz o ser humano temer a morte, fazendo com que procure meios para aliviar angústias, remédios em consolações metafísicas, que são muitas vezes buscadas em religiões que pregam, principalmente, a imortalidade da alma. Sobre a morte, Schopenhauer também fala que a morte não pode ser diferente do momento anterior ao nascimento, porque em ambos, não há consciência.
Arthur Schopenhauer sempre buscou através de sua filosofia um reconhecimento. O merecido reconhecimento que foi proporcionado em seus últimos anos de vida. Suas idéias, além de servir de base e para grandes nomes na filosofia, também inspiraram e inspiram até hoje a literatura e a música. Pode-se citar aqui dois exemplos presentes na literatura e na música que são bastante conhecidos; na literatura, um exemplo foi Machado de Assis na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” em que o autor utiliza a filosofia de Schopenhauer de forma profunda no personagem principal, que refere-se à vontade irracional e a insatisfação frustrante decorrente disso. E na música está Raul Seixas, no qual, é apresentado alguns pontos da filosofia Schopenhaureana, como por exemplo, na música “Carpinteiro do Universo” que retrata a compaixão, “Trem 103” em que o trem retrata o veículo de morte e renascimento, “Gita” da filosofia oriental, entre outras canções. Schopenhauer é um grande filósofo e grande pensador genial, o qual serviu de inspiração para muitos outros grandes gênios.

